sexta-feira, 3 de agosto de 2007

SABEDORIA ORIENTAL


Contam os orientais, que perto de Tóquio vivia um grande Samurai, já idoso, que agora se dedicava a ensinar o zen-budismo aos jovens. Apesar de sua idade, corria a lenda de que ainda era capaz de derrotar qualquer adversário.

Certa tarde, um guerreiro, conhecido por sua falta de escrúpulos apareceu por ali. Era famoso por utilizar a técnica da provocação: esperava que seu adversário fizesse o primeiro movimento e, dotado de uma inteligência privilegiada para reparar erros cometidos, contra-atacava com velocidade fulminante. O jovem e impaciente guerreiro jamais havia perdido uma luta. Conhecendo a reputação do Samurai, estava ali para aumentar a sua fama.

Todos os estudantes se manifestaram contra a idéia, mas o velho aceitou o desafio. Foram todos para a praça da cidade, e o jovem começou a insultar o velho mestre. Chutou algumas pedras em sua direção, cuspiu em seu rosto, gritou todos os insultos conhecidos - ofendendo inclusive seus ancestrais.

Durante horas fez tudo para provocá-lo, mas o velho permaneceu impassível. No final da tarde, sentindo-se já exausto e humilhado, o impetuoso guerreiro retirou-se.

Desapontados pelo fato de que seu mestre aceitou tantos insultos, os alunos perguntaram:

- "Como o senhor pôde aceitar tanta indignidade? Por que não usou sua espada mesmo sabendo que podia perder a luta, ao invés de mostrar-se covarde diante de todos nós?"

- “Se alguém chega até você com um presente, e você não o aceita, a quem pertence o presente?” Perguntou o Samurai.

- “A quem tentou entregá-lo”, respondeu um dos discípulos.

- “O mesmo vale para a inveja, a raiva e os insultos” - disse o mestre. “Quando não são aceitos, continuam pertencendo a quem os carrega consigo.”

Não deixe que os outros envenenem a sua alma. Somos responsáveis por nossas ações, pensamentos e sentimentos e podemos controlá-los, a não ser que entreguemos o nosso poder ao outro.

Normalmente costumamos comentar que o outro nos irritou, ou nos magoou, ou nos ofendeu, mas somos nós mesmo que aceitamos, tendo a possibilidade de negar. Se nos magoamos, é porque permitimos que o fôssemos, pois o outro não tem essa condição. Nós ocidentais, vivemos muitas ilusões, filhas do orgulho, mas o que é o orgulho? Do que exatamente queremos nos orgulhar? Fica aqui esta lição para reflexão.

É mais sábio calar, quando um ignorante quiser falar. A própria palavra o diz: ignorante, o que então, podemos esperar dele? Sejamos sábios e busquemos a nossa paz interior, esta sim vale a pena!

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